AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE REUSO DE EFLUENTES DE ETE EM ÁREAS IRRIGADAS DA BACIA HIDROGRÁFICA PIANCÓ-PIRANHAS-AÇU COM VISTAS A UNIVERSALIZAÇÃO

  • Bruna Magalhães de Araujo UERJ
  • Ana Silvia Pereira Santos UFRJ
  • Maira Araújo de Mendonça Lima
  • Sérgio Rodrigues Ayrimoraes Soares
  • Carlos Alberto Perdigão
  • Marília Carvalho de Melo
Palavras-chave: Reuso de Efluentes. Irrigação. Estação de Tratamento de Esgotos. Universalização.

Resumo

A Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu (PPA) abrange uma área total de 43.683 km² (ANA, 2016), com baixas precipitações, resultando em secas hídricas. O reuso de efluentes pode ser visto como uma prática que combate e minimiza os impactos sofridos pelas secas severas. Assim, uma vez que a região possui baixo atendimento ao tratamento de esgoto, neste trabalho, foi realizada uma avaliação do futuro potencial de reuso de efluentes de ETEs em áreas irrigadas. Assim, observou-se que, em relação à projeção para implantação das ETEs, em 2035, serão 131 ETEs em operação, com uma vazão total de 1,41 m3/s. A demanda de água para a agricultura irrigada na bacia é de 17,48 m³/s e com isso a oferta da água de reuso pode representar 8% da demanda de água para irrigação, a um custo estimado de transporte variando entre R$ 2,46/m3 e R$ 12,62/m3, em função do estado (PB e RN) e das distâncias de transporte (10 a 50 km). Comparando o custo da água de reuso com o valor do consumo da água bruta, constatou-se que os valores médios praticados atualmente para consumo de água na irrigação (0,02 R$/m3) inviabilizam financeiramente a prática e não se alinham com os objetivos instituídos pela lei das águas, já que os valores cobrados são ínfimos. Por fim, ficou ainda mais evidente a necessidade em se atingir a universalização do esgotamento sanitário, não somente para minimizar a poluição dos corpos d’água, mas também em propiciar efluentes tratados para a prática de reuso.

 

 

Biografia do Autor

Bruna Magalhães de Araujo, UERJ

Mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Ana Silvia Pereira Santos, UFRJ

Doutora em Engenharia Civil – Tecnologia de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Maira Araújo de Mendonça Lima

Graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Sérgio Rodrigues Ayrimoraes Soares

Mestre em Tecnologia Ambiental pela Universidade de Brasília (UNB), Brasília, DF, Brasil

Carlos Alberto Perdigão

Mestre em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP), São Carlos, SP, Brasil

Marília Carvalho de Melo

Doutora em recursos hídricos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Belo Horizonte, MG, Brasil

Referências

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Publicado
2019-12-17